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:: Quarta-feira, Outubro 05, 2005 ::
das coisas que se pensadas e lembradas viram música
de caminhar sobre o fio da calçada / ou desviando do cimento das lajotas / de olhar o vento passar / de esperar ela sair do mar / de vê-la trazer o café na cama vestindo tua camiseta da noite anterior / de vê-la mexer no cabelo / de vê-la deitada de costas / de sentir seu cheiro / seu gosto / seu perfume / de sentir abraça-la / de esquecer da vontade de esquecer / e querer a vontade de querer / onde torna-se renascido o amor / mesmo que por uma noite / de vê-la se vestir / de vê-la lhe sorrir / de vê-la fechar os olhos / quando recebe um beijo teu / de vê-la sobre os lençóis brancos / de ver a criança correndo / para abraçar o pai / dos velhinhos que se beijam / sentados num banco de praça / da folha que cai / do sol que brilha / da chuva que acalma / da música que faz lembrar / e nos faz dançar / de vê-la abrir os braços / e jogar a cabeça pra trás / de amigos que se encontram / de amigos que se lembram / e choram / e choram de rir / da onda perfeita surfada no fim da tarde / ou cedo do dia / de levá-la pra jantar / de preparar uma massa / de abraça-la por trás / e ficar ali / parado / de vê-la chorar / de vê-la sorrir enquanto chora / de se jogarem travesseiros / de esperar ela ligar / de ligar para surpreendê-la / no meio da tarde / de surpeendê-la sempre / de ela sumir por uns dias / e voltar dizendo que morria de saudade / e apenas ficar ali / olhando / e sentindo / das coisas que se pensadas e lembradas viram música...
:: 3:18 PM ::
escreve algumas linhas aê:
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:: Terça-feira, Outubro 04, 2005 ::
Um dos melhores Cd's lançados em 2005.
bid - bambas e biritas
:: 12:28 PM ::
escreve algumas linhas aê:
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O texto a seguir é para contrabalancear o anterior, e foi escrito por Tatiane Bernardi, mas bem que poderia ser escrito por qualquer um de nós. Homens ou mulheres.
"Eu me descubro ainda mais feliz a cada pedaço seu e de tudo o que é seu. Eu amo tanto o seu banheiro com as combinações em verde e a chuva fina do chuveiro, que chorei essa manhã enquanto você tomava Taff-Man E e ouvia música eletrônica. Às vezes você é tão bobo, e me faz sentir tão boba, que eu tenho pena de como o mundo era bobo antes da gente se conhecer. Eu queria assinar um contrato com Deus: se eu nunca mais olhar para homem nenhum no mundo, será que ele deixa você ficar comigo pra sempre? Eu descobri que tentar não ser ingênua é a nossa maior ingenuidade, eu descobri que ser inteira não me dá medo porque ser inteira já é ser muito corajosa.
Eu descobri que vale a pena ficar três horas te olhando sentada num sofá mesmo que o dia esteja explodindo lá fora. E quando já não sei mais o que sentir por você, eu respiro fundo perto da sua nuca e começo a querer coisas que nem sabia que existiam. Quando a gente foi ver o pôr-do-sol na praça do Pôr-do-sol, eu, você e a Lolita, a minha cachorrinha mala, a gente ficou abraçado e a gente se achou brega demais, e a gente morreu de rir. Senti um daqueles segundos de eternidade que tanto assustam o nosso coração acostumado com a fugacidade segura dos sentimentos superficiais. Eu olhei para você com aquela sua jaqueta que te deixa com tanta cara de homem e me senti tão ao lado de um homem, que eu tive vontade de ser a melhor mulher do mundo. E eu tive vontade de fazer ginástica, ler, ouvir todas as músicas legais do mundo, aprender a cozinhar, arrumar seu quarto, escrever um livro, ser mãe. E aí eu só olhei pra bem longe, muito além daquele Sol, e todo o meu passado se pôs junto com ele. E eu senti a alma clarear enquanto o dia escurecia. Eu te engoli e você é tão grande pra mim que dedico cada segundo do meu dia em te digerir. E eu não tenho mais fome, mas tenho que ter fome porque não quero você namorando uma magrela. E eu sonhei com você e acordei com você, e eu te olhei e falei que eu estava muito magrela, e você me mandou dormir mais, e me abraçou.
Eu preciso disfarçar que não paro mais de rir, mas aí olho pra você e você também está sempre rindo. Se isso não for o motivo para a gente nascer, já não entendo mais nada desse mundo. E eu tento, ainda refém de algumas células rodriguianas que vez ou outra me invadem, tentar achar defeito na gente, tentar estragar tudo com alguma sujeira. Mas você me deu preguiça da velha tática de fuga, você me fez dormir um CD inteiro na rede e quando eu acordei o mundo inteiro estava azul. Engraçado como eu não sei dizer o que eu quero fazer porque nada me parece mais divertido do que simplesmente estar fazendo. Ainda que a gente não esteja fazendo nada. Eu, que sempre quis desfilar com a minha alegria para provar ao mundo que eu era feliz, só quero me esconder de tudo ao seu lado. Eu limpei minhas mensagens, eu deletei meus emails, eu matei meus recados, eu estrangulei minhas esperas, eu arregacei as minhas mangas e deixei morrer quem estava embaixo delas. Eu risquei de vez as opções do meu caderninho, eu espremi a água escura do meu coração e ele se inchou de ar limpo, como uma esponja. Uma esponja rosa porque você me transformou numa menina cor-de-rosa.
Você me transformou no eufemismo de mim mesma, me fez sentir a menina com uma flor daquele poema, suavizou meu soco, amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança. Você quebrou minhas pernas, me fez comprar um vestido cheio de rendas e babados, tirou as pedras da minha mão. Você diz que me quer com todas as minhas vírgulas, eu te quero como meu ponto final."
Às vezes a poesia é necessária,
Um encanto, algum solo de uma ária.
A pausa no horror espanta o espanto
Tanto quanto o mal aumenta tanto
Que elimina a força solidária.
:: 11:50 AM ::
escreve algumas linhas aê:
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:: Segunda-feira, Outubro 03, 2005 ::
Então você percebe que quanto mais você conhece, mais você percebe que realmente não conhece. Ai vão dizer que se vive na ficção. Mas e aquilo tu vê no dia a dia através de situações, presenças, vontades e um pouco de intuição? Não, não, se está certo e errado ao mesmo tempo. Não é possível que essas coisas aconteçam nos dias de hoje. E mais, ali do teu lado ou então com uma pessoa próxima-não-tão-próxima. Mas a partir do momento que as coisas acontecem tu te pergunta como aquilo pode. "Não, mas isso não acontece comigo.", "Eu nunca vi disso!!!", "Só em televisão mesmo!!!", "Só em novela!!!". Mas não, acontece ali na tu cara. É como se a farsante não precisasse de máscaras, e não precisa. Usa olhares, sorrisos, perfumes, gestos e te captura. Sim, somos presas. E o que elas realmente precisam é de conforto. É, dizem que isso basta. É como escutar a velha história. "Conforto e carinho. E um pouco de dinheiro. Sim, mulher gosta é de conforto, carinho e dinheiro. Não, não. Nâo me interrompa. Preste atenção. Para as mulheres gostarem da gente é preciso ser feio, magro e sério, ter dinheiro e poder. Além disso, você precisa dar atenção à elas todos os dias, sim, aquele atenção especial na cama. E se você não tiver dinheiro? Bom, aí trate de dar aquela atenção especial, e, quando não for mais capaz de fazer isso, trate de ter dinheiro e poder. E, se não tiver nada, renuncie às mulheres sérias. Ok, mas as mulheres de hoje em dia são modernas, não pensam assim. Isso poderia acontecer na sua época. Mas não existe época. Você acredita em modernidade de sentimentos? Faça um ninho e as deixe protegidas. Não, as mulheres de hoje são independentes. Bobagem, mentira. Elas são é manipuldas por essas idéias. As que acreditam nisso acabam no psiquiatra. Passam quarenta anos sozinhas, sem filhos e com a sensação de que viveram equivocadas. Não obedeceram à natureza e caem de cabeça na consulta com o psiquiatra.
Nós somos uma comédia. Aprenda a rir de si mesmo. Ria sempre de você. Não ria dos outros. Primeiro, se olhe no espelho. Sempre vai encontrar motivos para rir e caçoar de si mesmo."
texto inspirado no capítulo 14, do romance "o ninho da serpente", de pedro juan gutiérrez
:: 4:52 AM ::
escreve algumas linhas aê:
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